السلطة الرابعة

Diretor Editorial do Jornal Al Youm Al Sabea Al MaghribiaDr. Ezzat Elgamal escreve:O Irão não caiu… A América é que está a pagar a facturaTrump anuncia a “vitória económica”… mas o povo americano paga o preço de uma guerra que não alcançou os seus objectivos

Trump não conduz esta guerra apenas a partir de uma sala de operações… conduz-a, na minha opinião, com a mentalidade de um homem que quer vencer na imagem antes de vencer no terreno.E é aí que está a verdadeira tragédia.O presidente da maior potência do mundo pode anunciar uma “vitória” todas as manhãs, fazer declarações inflamadas e falar de uma América cuja força é impossível derrotar. Mas há uma coisa que ele não consegue esconder do cidadão americano:A factura.

A factura dos mísseis.A factura dos aviões.A factura dos navios.A factura dos soldados.A factura do petróleo.A factura da inflação.E a factura de uma guerra que começou com slogans de força e terminou com uma pergunta que continua a perseguir a Casa Branca:Até quando o povo americano vai pagar pelas decisões de Trump? Não estou a fazer um diagnóstico médico de Trump. Estou, sim, a descrever, do meu ponto de vista, uma mentalidade política imprudente na gestão desta guerra, que vê o poder militar como caminho para a vitória, enquanto deixa o cidadão americano pagar o preço destas decisões com o seu próprio bolso e com o futuro dos seus filhos.Trump prometeu aos americanos uma resolução rápida.Depois veio a guerra.Depois vieram as sanções.Depois veio a crise energética.Depois vieram milhares de milhões de dólares em despesas militares.E agora, depois de meses de confronto, o Irão continua de pé, o regime continua no poder e Washington voltou a intensificar a pressão económica. Em 24 e 25 de agosto, a administração Trump anunciou uma nova ofensiva de sanções, descrita como um novo “Dia D económico”, enquanto as negociações sobre o Estreito de Ormuz continuam. Então, onde está a vitória?E onde ficou a promessa de Trump de uma resolução rápida?

O Irão não caiu… e esta é a verdade que incomoda WashingtonDo meu ponto de vista como autor, o resultado mais importante desta guerra não é o número de mísseis lançados pelos Estados Unidos, nem o número de instalações atingidas.A verdadeira questão é:Qual era o objectivo?O objectivo, no essencial, era submeter o Irão, destruir a sua capacidade nuclear e obrigar o regime a mudar o seu comportamento.Mas o Irão não desapareceu.O regime não caiu.O Estado iraniano não entrou em colapso.E Teerão não levantou a bandeira branca.Pelo contrário, a guerra transformou-se num confronto prolongado, depois numa guerra económica e numa batalha pelo petróleo, pela navegação e pelo futuro da região.

Por isso digo claramente:Se vitória significa alcançar o objectivo político para o qual a guerra foi iniciada, então considero que o Irão saiu vencedor na batalha mais importante: a batalha pela sobrevivência.O Irão não precisava de conquistar Washington.Nem precisava de destruir os Estados Unidos.Bastava-lhe não cair.Bastava-lhe manter o regime.Bastava-lhe conservar cartas que pudesse utilizar na fase seguinte.E foi isso que aconteceu.

O Irão esperou… e depois virou o jogoNa minha opinião, o Irão jogou uma das cartas mais perigosas que um Estado pode jogar numa guerra contra uma superpotência:o jogo da resistência prolongada.Teerão nunca precisou de afirmar ser militarmente mais forte do que os Estados Unidos.Não precisava disso.A sua aposta era que os Estados Unidos, por mais poderosos que sejam, têm uma economia, mercados, cidadãos, um orçamento e eleições.O Irão sabia que cada dia adicional de guerra significava:Mais milhares de milhões.Mais munições.Mais pressão sobre os mercados energéticos.Mais pressão sobre o orçamento americano.E mais pressão política dentro dos Estados Unidos.Por isso, a batalha, para Teerão, não era apenas uma guerra de mísseis.Era:Uma guerra de desgaste.E aqui, na minha opinião, o Irão conseguiu mudar a pergunta de:“Como derrubar o Irão?”para:“Quem consegue aguentar mais tempo?”

Trump quer anunciar a vitória… mas a factura chegou às casas americanasEsta é a contradição que o povo americano precisa de observar.Trump pode anunciar a vitória.Mas será que pode pagar a factura?Pode pagar o preço dos mísseis?Pode reconstruir os arsenais militares?Pode compensar as empresas?Pode pagar os custos da presença militar?Pode impedir o aumento dos custos da energia?Não.Quem vai pagar é o cidadão americano.O contribuinte.O trabalhador.O reformado.O proprietário de uma casa.O condutor.E a família que tenta fazer com que o salário chegue ao fim do mês.É aqui que a guerra se transforma numa questão interna americana.Já não é uma guerra distante no Médio Oriente.Entrou no bolso do cidadão americano.

E esta é a factura que nenhum discurso presidencial consegue esconder.

A guerra começa com slogans… e termina com uma facturaToda guerra começa com grandes palavras:Segurança nacional.Defesa da pátria.Eliminação da ameaça.Protecção dos interesses americanos.Mas depois dos discursos começam as contas.Quanto pagámos?Quanto perdemos?E o que recebemos em troca?É aqui que começa a verdadeira tragédia.Porque uma guerra não termina quando os aviões deixam de voar.Às vezes, a verdadeira guerra começa quando chega a factura.A factura da reconstrução dos arsenais militares.

A factura do tratamento dos soldados.A factura das compensações aos veteranos.A factura da energia.A factura da inflação.A factura da dívida.E a factura das oportunidades económicas perdidas porque milhares de milhões de dólares foram destinados à guerra em vez de infra-estruturas, saúde e educação.

Estreito de Ormuz… a carta que mudou o jogoDepois surgiu a carta mais perigosa:O Estreito de Ormuz.Não é apenas uma passagem marítima.É uma das principais artérias energéticas do mundo.E hoje o Estreito de Ormuz continua no centro da crise. O Irão e Omã discutiram uma via temporária de navegação, enquanto Washington e Teerão continuam a disputar as condições para a circulação marítima. E aqui, na minha opinião, o Irão conseguiu levar o confronto para outro campo.Os Estados Unidos podem bombardear o Irão.Mas o Irão pode fazer o mundo inteiro perguntar:O que acontecerá ao petróleo se a crise continuar?Segundo dados divulgados pela Reuters, o fluxo de petróleo através de Ormuz caiu drasticamente durante a crise, de mais de 20 milhões de barris por dia antes do conflito para cerca de 5 milhões em determinado momento. É aqui que a guerra deixa de ser apenas uma guerra entre dois países.Passa a ser uma ameaça à economia mundial.

O urânio… a pergunta que a guerra não respondeuExiste ainda uma questão mais perigosa:Onde está o stock de urânio enriquecido do Irão?Antes dos ataques, a Agência Internacional de Energia Atómica estimava que o Irão possuía cerca de 440,9 quilogramas de urânio enriquecido até 60%. Depois dos ataques, surgiram dúvidas sobre a localização exacta e o estado de parte desse material, e análises independentes apontaram para a possibilidade de que uma parte importante do stock tenha sido transferida para instalações em Isfahan antes dos ataques. Mas é importante dizer: isto não é uma confirmação internacional definitiva do destino de todo o material. E aqui surge o paradoxo.Se as instalações foram bombardeadas, isso não significa necessariamente que todo o material nuclear que estava dentro delas tenha sido destruído.Um edifício pode ser destruído… mas o material pode ser transferido.Por isso, a pergunta deixou de ser apenas:“As instalações foram destruídas?”Passou a ser:“Onde está o urânio?”E quem tem a resposta?Até hoje, o destino completo desse stock continua a ser uma das questões mais delicadas da crise nuclear iraniana.E isso significa que uma coisa é destruir instalações.Outra coisa, muito diferente, é encerrar definitivamente o dossier nuclear iraniano.

A “vitória económica”… porquê agora?E chegamos à grande contradição.Depois de meses de guerra, Washington anuncia uma nova campanha económica contra o Irão.Sanções.Bloqueios financeiros.Pressão sobre empresas e navios.Pressão sobre os países que mantêm relações económicas com Teerão.Mas eu pergunto:Se a vitória militar decidiu a guerra, por que razão Washington precisa agora de uma nova guerra económica?Se o Irão foi derrotado, por que é necessário estrangular a sua economia?Se o regime acabou, por que continua no poder?Se a questão nuclear terminou, por que continua em aberto o destino do urânio?E se os Estados Unidos passaram a ter o controlo da situação, por que razão o Estreito de Ormuz continua a ser um elemento tão importante nas negociações?Estas não são perguntas de propaganda.São perguntas estratégicas.

A América não derrotou o Irão… e o Irão também não derrotou militarmente a AméricaQuero ser claro:Não digo que o Irão tenha saído da guerra sem perdas.Pelo contrário, pagou um preço elevado.Também não digo que os Estados Unidos não tenham obtido superioridade militar.Obtiveram-na.Mas estou a falar do:resultado político e estratégico da guerra.E, nesse aspecto, considero que a imagem é diferente.O Irão permanece.O regime permanece.A capacidade de resistência permanece.A carta energética permanece.E o dossier nuclear não foi completamente encerrado.Enquanto isso, os Estados Unidos passaram para as sanções e para a pressão económica.Na minha opinião, isso não corresponde à vitória decisiva que foi prometida ao povo americano.

Trump enfrenta a pergunta mais difícilTrump pode dizer:“A América venceu.”Mas o povo americano pode perguntar:“O que ganhámos?”A América está hoje mais segura?A energia ficou mais barata?A dívida diminuiu?A economia ficou mais forte?O Irão acabou?O regime caiu?O dossier nuclear terminou?A região voltou à estabilidade?Ou estamos perante uma nova guerra, novas sanções, uma nova factura e um novo confronto?Estas são as perguntas que o cidadão americano deve fazer.

Quem beneficia com a guerra?E aqui devemos fazer uma pergunta ainda mais ousada:Quem beneficia da continuação da guerra?Porque a guerra significa contratos militares.Significa milhares de milhões para o sector do armamento.Significa empresas de defesa a trabalhar sem parar.Significa negócios.Mas o cidadão americano comum não recebe um míssil.Nem recebe um avião de combate.Nem recebe um contrato militar.Recebe apenas uma coisa:A FACTURA.E este é o lado da guerra que nem sempre aparece nas imagens de vitória militar.

O Irão está a travar uma guerra pela sobrevivênciaNa minha opinião, o Irão não encara esta guerra como um conflito político passageiro.Encara-a como:Uma guerra pela sobrevivência.É isso que explica a sua resistência.Um Estado que acredita que a guerra ameaça a própria existência do seu regime e do seu país não reage como um Estado envolvido num simples conflito fronteiriço.Resiste.Espera.Utiliza todas as suas cartas.E é precisamente isso que vejo na posição iraniana.O Irão não pergunta:“Como saímos da guerra com o menor número possível de perdas?”Pergunta:“Como sobrevivemos?”E, até agora, a resposta é:“Sobrevivemos.”

A verdadeira batalha começou depois da guerraE aqui chego ao ponto mais perigoso deste artigo.A batalha já não é apenas entre aviões e mísseis.A batalha passou a ser entre:A economia americana e a economia iraniana.Entre:O orçamento de Washington e a capacidade de Teerão para resistir.Entre:O petróleo e as sanções.Entre:Ormuz e a Marinha americana.Entre:O dólar e as redes comerciais iranianas.E esta guerra económica pode ser muito mais longa do que a própria guerra militar.

O Irão venceu porque não caiuNa minha opinião, esta é a definição da vitória nesta guerra.O Irão não ocupou a América.E nunca precisou de fazê-lo.O seu principal objectivo era não cair.Não se render.Não permitir o colapso do regime.E conservar cartas de pressão.Na minha leitura política do conflito, conseguiu fazê-lo.O Irão permaneceu.E isso, por si só, destruiu o principal objectivo que se esperava que a guerra alcançasse.Quanto aos Estados Unidos, saíram com uma força militar gigantesca, mas encontraram-se perante uma guerra económica, política e estratégica aberta.

A derrota que não aparece nos comunicadosA derrota nem sempre significa perder uma batalha.Às vezes, é entrar numa guerra com um objectivo definido e acabar por ter de mudar esse objectivo.Entrar para derrubar um regime…e acabar a tentar estrangular a sua economia.Entrar para destruir o programa nuclear…e acabar à procura do urânio.Entrar para mudar a equação…e acabar a negociar sobre o Estreito de Ormuz.Entrar para impor a sua vontade…e acabar a negociar como terminar a guerra.

É assim que eu vejo uma derrota estratégica.

Trump… da “vitória” à facturaE aqui volto ao Presidente Trump.Ele pode conseguir vencer no discurso.Pode levantar o punho perante as câmaras.Pode dizer:“Vencemos.”Mas o cidadão americano não vive dentro de um discurso.Vive dentro da economia.Paga na bomba de gasolina.Paga quando compra alimentos.Paga impostos.Paga juros dos empréstimos.E poderá pagar, no futuro, através dos seus filhos, se os milhares de milhões gastos na guerra se transformarem em dívida durante décadas.Por isso digo:Trump pode anunciar a vitória… mas não pode fazer o povo americano comer a vitória.

A palavra finalNa minha opinião, esta guerra revelou algo mais perigoso do que um simples confronto entre os Estados Unidos e o Irão.Revelou que o poder militar, por si só, não é suficiente.Que destruir edifícios não significa destruir Estados.Que atacar instalações não significa necessariamente eliminar programas.Que anunciar uma vitória não significa alcançar os objectivos.E que uma guerra iniciada na Casa Branca pode acabar dentro dos bolsos dos cidadãos.O Irão não caiu.O regime iraniano não caiu.A guerra não terminou como foi prometido aos americanos.O dossier nuclear não foi encerrado definitivamente.

O destino do stock de urânio iraniano continua a ser uma questão central e, em parte, não verificável de forma completa.E o Estreito de Ormuz tornou-se uma carta estratégica no centro do confronto.Enquanto isso:Washington regressa às sanções.Regressa à pressão económica.E procura uma saída política.Depois chega a factura ao cidadão americano.E aqui digo em voz alta:Trump queria fazer o Irão pagar o preço da guerra… mas o povo americano encontrou a factura sobre a mesa do jantar.Alguns poderão discordar de mim sobre quem venceu e quem perdeu.E têm esse direito.Mas existe uma verdade que nenhum discurso político consegue esconder:A guerra tem um preço.E a pergunta que continuará a perseguir Trump não é:“Quantos mísseis lançou a América?”Mas sim:“Quanto pagaram os americanos por esta guerra… e o que receberam em troca?”É aqui, e somente aqui, que a História escreverá o seu veredicto.

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